Uma “Narrativa state of mind” com Rui Unas – by Continente
A Sonae lançou um video sobre os hipermercados Continente, onde Rui Unas faz uma versão da famosa música “Margem sul state of mind”, sendo neste caso “Continente state of mind”.
Engane-se quem pensar que é um simples vídeo com uma ideia engraçada para promover a cadeia de hipermercados, ao analisarmos a narrativa implicita percebemos os símbolos que lhe estão implícitos e que esta tem conta, peso e medida. Ler mais…
Leituras – Tratado de Argumentação
A retórica é um instrumento fundamental para a prática das Relações Públicas e que tem na argumentação uma disciplina, que usa um conjunto de técnicas, com o objectivo final da adesão de um determinado auditório a uma determinada tese.
Para se entender a argumentação e seus fins, é necessário conhecer alguns elementos que a fundamentam. Nesse sentido o “Tratado de Argumentação: a nova retórica”, de Chaim Perelman e Lúcie Olbrechts-Tyteca, apresenta-se como uma obra essencial para entendermos a retórica moderna.
Nesta obra, os autores demonstraram várias técnicas utilizadas por alguns oradores para persuadir seus auditórios e introduzem novos conceitos. Ao longo das três partes que compõem a obra - ”Os âmbitos da argumentação”, ”O ponto de partida da argumentação”, e “As técnicas argumentativas” – os autores definem o campo argumentativo, os acordos necessários e as várias técnicas utilizadas para persuadir um auditório.
Partindo do pressuposto de que o uso da linguagem pode ser entendida como uma acção comunicativa, podemos entender esta obra como a apresentação da argumentação como uma acção que tende a modificar um estado pre-existente de coisas, que quando apresentada a um auditório particular procura persuadir o ouvinte a realizar uma acção imediata ou futura. Para que ocorra esta interacção, os autores apresentam diversos recursos discursivos e técnicas a serem utilizados para que a argumentação atinja os seus objectivos.
O conhecimento que Perelman e Olbrechts-Tyteca nos trazem é facilmente aplicável à retórica e ao discurso organizacional, tanto no sentido de criar uma pré-disposição para a acção, como do ponto de vista deliberativo sobre um determinado assunto.
Uma obra obrigatória.
Olhar sobre a actividade – A vaidade da CGD
Quando falamos de reputação temos de ter em conta que esta deriva de uma avaliação sobre um conjunto de características que são reconhecidas e valorizadas sobre a organização, mas não é uma característica em si mesma.
Faz sentido uma organização utilizar, no seu discurso, o argumento de que é reconhecida pela sua reputação?
Renato Póvoas (Guess What PR) escreveu, a 5 de Novembro de 2010, e eu concordo plenamente:
É legítimo mas não faz sentido que a Caixa Geral de Depósitos utilize anúncios de imprensa para referir que foi considerada a marca portuguesa com maior reputação. A verdadeira reputação não se conquista através de anúncios pagos. Trata-se meramente de um egocentrismo excessivo. O foco da comunicação deveria estar no cliente e não na própria instituição. (Renato Póvoas, 2010)
E acrescento, a Reputação é construída de baixo para cima e não pertence à organização, mas sim aos seus stakeholders.
Parece-me óbvio que a Caixa Geral de Depósitos deveria focar o seu discurso nos pilares que sustentam a sua reputação, fortalecendo-a, e não na reputação em si.
